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Petrobras reduz plano de investimento para US$ 74,1 bilhões em 5 anos.


Valor é de 25% menor que os US$ 98,4 bi previstos no plano anterior. Plano prevê também US$ 19,5 bilhões em venda de ativos e 'parcerias'.

O Conselho de Administração da Petrobras avaliou que seu Plano de Negócios e Gestão 2017-2021 será de US$ 74,1 bilhões. O valor é 25% menor que os US$ 98,4 bilhões previstos para o plano do período anterior, anunciado em janeiro deste ano. Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira (20), por meio de um comunicado enviado ao mercado.

 

 

O plano prevê também arrecadar US$ 19,5 bilhões com a venda de ativos (os chamados desinvestimentos) e parcerias  entre 2017 e 2018.

 

 

Com essa estratégia, a estatal diz buscar a "recuperação da solidez financeira" e reduzir sua enorme dívida, sem precisar fazer novas captações no mercado financeiro. Ao final de junho, o endividamento total da companhia era de R$ 397 bilhões.

 

 

Perto das 12h40, as ações da Petrobrasx lideravam as altas do Ibovespa, com as preferenciais subindo mais de 3%, enquanto a Bovespa avançava 0,62%. Veja a cotação

 

 

Analistas ouvidos pela agência Reuters aguardavam investimentos até 2021 de cerca de cerca de US$ 80 bilhões.

 

 

Este plano é o primeiro sob a gestão de Pedro Parente, que chegou à presidência daPetrobras em junho, nomeado pelo presidente Michel Temer.

 

 

Apesar do aumento do desinvestimento, Parente garantiu que a Petrobras "não vai ser uma empresa menor em óleo e gás" e que o crescimento da produção deverá chegar a 30% a partir de 2019.

 

 

Confira os principais pontos do Plano de Negócios 2015-2019:

- Redução de 25% nos investimentos, para US$ 74,1 bilhões em 5 anos
- Meta de US$ 19,5 bilhões em vendas de ativos e parcerias entre 2017 e 2018
- Empresa deixará setores de produção de biocombustíveis, distribuição de gás de cozinha, produção de fertilizantes e participações em petroquímica.
- Previsão de redução da alavancagem (termômetro de endividamento medido pela relação de dívida líquida/Ebitda) de 5,3 vezes em 2015 para 2,5 vezes em 2018.
- Estatal espera elevar a produção total, de 2,62 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2017 para 3,41 milhões de boed em 2021, sendo 2,77 milhões no Brasil
- Petrobras vê preço médio do barril de petróleo Brent a US$ 48 em 2017; para 2018, projeção é de barril a US$ 56, subindo para US$ 68 em 2019 e em US$ 71 em 2020 e 2021.

 

 

Investimentos prioritários

O corte de investimento foi geral, mas a empresa continuará priorizando investimentos mais de 80% do total na exploração e produção.

 

 

"A carteira de investimentos do plano prioriza projetos de exploração e produção de petróleo no Brasil, com ênfase em águas profundas. Nas demais áreas de negócios, os investimentos destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e à projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás natural", afirma o comunicado.

 

 

A Petrobras prevê investimentos da área de Exploração e Produção de US$ 60,6 bilhões, sendo que 76% do montante será alocado para desenvolvimento da produção, 11% para exploração e 13% para suporte operacional. No plano anterior, a principal divisão da empresa receberia investimentos de US$ 80 bilhões.

 

 

Já a área de Refino e Gás Natural receberá investimentos de US$ 12,4 bilhões no período, sendo 50% destinados à continuidade operacional dos ativos e o restante a projetos relacionados ao escoamento da produção de óleo e gás. No plano anterior, a divisão de Abastecimento tinha uma previsão de US$ 10,9 bilhões e a de Gás e Energia, de US$ 5,4 bilhões.

 

 

Empresa fala em recuperação da solidez

Parente afirmou que 2016 e 2017 serão os anos em que a Petrobras vai "apertar o passo" para alcançar a saúde financeira. "Depois desses dois anos, nós recuperamos o crescimento na nossa curva de produção e vamos ter um crescimento operando de maneira bastante disciplinada como tem que ser", disse em entrevista.

 

 

Segundo ele, o foco nos próximos dois anos seá a recuperação da solidez financeira da Petrobras. "No horizonte total dos cincos anos desse planejamento, a nossa proposta é que a empresa tenha sido saneada, tenha padrões de governança e ética inquestionáveis para sustentar uma produção crescente, mas realista, e capaz de investir e se posicionar nos processos de transição por que passa o mercado de energia no mundo”, escreveu Parente, em comunicado.

 

 

Venda de ativos

O plano apresentado também inclui a "vendas de ativos", chamada de desinvestimentos -– uma espécie de privatização, por se tratar de uma empresa com controle estatal. De acordo com a companhia, estão previstos US$ 19,5 bilhões de "parcerias e desinvestimentos" entre 2017 e 2018, ante US$15,1 bilhões projetados em vendas de ativos entre 2015-2016.

 

 

A Petrobras sairá das atividades de produção de biocombustíveis como etanol, distribuição de gás de cozinha (GLP), produção de fertilizantes e das participações em petroquímica.

Disse ainda que buscará reestruturar os negócios de energia, consolidando os ativos termelétricos e demais negócios desse segmento, e que vai rever o posicionamento do negócio de lubrificantes.

 

 

A petroleira prevê que essas iniciativas, associadas a uma geração operacional de caixa estimada em US$ 158 bilhões, permitirão à Petrobras realizar seus investimentos e reduzir seu endividamento, sem precisar fazer novas captações.

 

 

Segundo Parente, a estatal já começou a negociar a venda ativos do setor de etanol. "Estamos vendendo porque claramente não somos os melhores operadores desse tipo de produto. Etanol é um produto que tem uma base agrícola muito importante, e a gente tem que ter a humildade de vender esses ativos, da maneira correta", disse o presidente da Petrobras.

 

 

A estatal tem posição relevante no setor de biocombustíveis, com em usinas de cana da Guarani Tereos e Energia Brasil, além de fatias na Usina Boa Vista e na Usina Bambuí, destaca a Reuters.

 

 

"Ela não vai ser uma empresa menor em óleo e gás, como a gente nota com o crescimento da produção", afirmou Parente, acrescentando que o crescimento da produção deverá chegar a 30% a partir de 2019.

 

 

"Não pretendemos nesse momento aumentar nossos ativos no exterior. Não antes desse horizonte de 5 anos", acrescentou Parente.

 

 

Produção, preços e câmbio

A companhia afirmou que espera sair de uma produção total de 2,62 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2017 e alcançar 3,41 milhões de barris por dia em 2021: 2,77 milhões de barris por dia de óleo e líquido de gás natural no Brasil.

 

 

No plano anterior, a estatal previa produção de 2,7 milhões de barris por dia no Brasil, em média, em 2020.

 

 

O plano de negócios tem como premissas para o próximo ano um preço médio do petróleo Brent a US$ 48 e um câmbio de R$ 3,55 por dólar. Para 2018, a Petrobras prevê o Brent a US$ 56 o barril, subindo para US$ 68 em 2019 e ficando em US$ 71 em 2020 e 2021.

 

 

Já o câmbio, outro fator fundamental para a companhia, foi estimado em R$ 3,71 por dólar em 2018, passando para R$ 3,72 em 2019, R$ 3,74 em 2020 e R$ 3,78 por dólar em 2021.

 

 

Gestão

No comunicado, a Petrobras disse ainda que será adotado um sistema de gestão baseado na meritocracia, acompanhamento sistemático e correção de desvios, com o objetivo de "garantir a disciplina na execução das iniciativas e no alcance das metas estabelecidas no Plano de Negócios e Gestão".

 

 

"Além da maior eficiência na aplicação dos recursos investidos, que possibilitará a redução do volume de investimento sem grande impacto nas metas operacionais, o Plano também prevê a adoção de novas medidas para redução de custos (gastos operacionais gerenciáveis). Dentre essas ações destaca-se a implantação de novas ferramentas de gestão, como o Orçamento Base Zero (OBZ), a gestão diferenciada de contratos e de pessoal", informou.

 

 

Segundo a Petrobras, a meta é reduzir em 18% os gastos operacionais gerenciáveis, quando comparado ao valor estimado caso nenhuma iniciativa fosse implementada.

 

 

Planos anteriores

O Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, anunciado em junho de 2015, previa inicialmente US$ 130,3 bilhões em investimentos, uma redução de 37% na comparação com o ano anterior.

 

 

Depois, foi reduzido para US$ 98,4 bilhões, queda de US$ 32 bilhões ou de 24,5% ante a projeção inicial, principalmente devido à otimização do portfólio de projetos e do efeito cambial, em meio a preços do petróleo mais baixos.

 

 

No plano para 2014-2018, a companhia chegou a prever investimentos de US$ 220,6 bilhões.

 

 

Na ocasião, a companhia informou que o plano tinha como "objetivos fundamentais a desalavancagem da companhia e a geração de valor para os acionistas".

 

 

Fonte: G1.



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